• 4 de março de 2024

Mito ou verdade: usar celular no posto de gasolina pode causar explosões?

De acordo com uma suposta lenda contada nos últimos anos,  usar celular em postos de gasolina pode causar explosões inesperadas. Nos Estados Unidos, existem placas de aviso próximas das bombas, com informações como ‘Desligue o celular’ ou ‘Não utilize o smartphone durante o abastecimento’. Mas será que essa informação é realmente verdadeira?

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A realidade é que essa é uma questão muito complicada para uma simples resposta de ‘sim’ ou ‘não’. Primeiro, é importante destacar que a utilização de um celular nas proximidades de um posto de gasolina não é algo perigoso se o utilizador estiver dentro do carro. Contudo, a resposta é um pouco mais difícil se o usuário estiver fora do carro e próximo de uma bomba de abastecimento.

“O risco é muito, muito baixo. Todos nós ficamos um pouco complacentes em relação aos perigos que podem estar lá, porque estamos tão acostumados a ir ao posto de gasolina. A ideia é garantir que as pessoas no posto de gasolina estejam prestando atenção ao abastecimento, em vez de conversar no celular”, disse o representante da Associação Nacional de Proteção contra Incêndios, Michael Marando, em mensagem enviada ao site USA Today.

Para compreender se usar o celular em um posto de gasolina pode causar explosões, o TecMundo reuniu informações de cientistas e especialistas da área. Confira!

Usar celular no posto de gasolina pode causar explosões?

De acordo com o Instituto Combustível Legal, existem estudos comprovando que usar o celular dentro do carro não oferece nenhum tipo de risco durante um abastecimento. Porém, existe um pequeno risco de utilizar o aparelho, fora do carro, próximo à bomba. Isso acontece por que o combustível se torna vapor em contato com o ar e, como ele é mais pesado que o ar, fica mais concentrado no solo próximo das bombas.

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O risco é ainda maior se uma pessoa estiver utilizando o celular em certa proximidade das bombas e deixá-lo cair no chão. Para o coordenador de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) da empresa de combustíveis Raízen, José Roberto Manhães, é necessário recomendar que as pessoas não utilizem o smartphone na parte externa do posto de gasolina, na área de abastecimento. Ou seja, utilizar o aparelho dentro do carro é completamente seguro.

O especialista afirma que algumas cidades já estão se esforçando para aprovar leis que proíbam a utilização de aparelhos celulares próximos das bombas. Não é à toa que em 2002, São Paulo aprovou a lei 13.440, proibindo o uso de celular em qualquer área de um posto de gasolina; em 2017, a lei foi atualizada para proibir os dispositivos apenas nas áreas de abastecimento.

Apesar disso, até o momento, não existem informações ou nenhum relato verificados de explosões causadas pelo uso de smartphones em áreas de abastecimento. Além de alguns estudos sobre a possibilidade, existe apenas uma confirmação teórica de que isso realmente poderia acontecer em uma situação hipotética.

Mito ou verdade?

O aviso começou a ser aplicado em 1999 nos Estados Unidos, supostamente, após o caso de um motorista utilizar o celular em uma área de abastecimento na Indonésia.De acordo com informações sobre o boato, o uso causou uma explosão que danificou o veículo e deixou o motorista indonésio com queimaduras — a informação nunca foi confirmada.

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A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) explica que não há evidências desse caso, contudo, teoricamente ainda seria possível que um smartphone causasse explosões. Supostamente, a faísca provocada pela bateria de um celular poderia cair no vapor do combustível no chão da área de abastecimento e causar a explosão.

Não é um consenso, mas a teoria sugere que um carro poderia explodir por conta de faíscas causadas pelo uso do celular próximo de áreas de abastecimento.
Não é um consenso, mas a teoria sugere que um carro poderia explodir por conta de faíscas causadas pelo uso do celular próximo de áreas de abastecimento. Foto:  Getty Images  / Tecmundo

“Até agora, não conseguimos documentar quaisquer incidentes provocados por um telefone celular. Na verdade, muitos pesquisadores tentaram inflamar vapores de combustível com um telefone celular e falharam”, a associação internacional Petroleum Equipment Institute explicou em um comunicado sobre o assunto.

O programa Mythbusters, do Discovery Channel, fez um episódio que testou a possibilidade, mas eles chegaram ao resultado que usar um celular em um posto de gasolina não causará nenhum tipo de explosão. De acordo com um dos apresentadores, Adam Savage, as explosões mais comuns em postos são causadas por faíscas estáticas que se originam quando os motoristas se esfregam na superfície dos carros.

Dois estudos divulgados por empresas de telefonia afirmam que não existem evidências de que os dispositivos possam iniciar qualquer tipo de explosão em um posto. Os pesquisadores concluíram que os supostos casos de explosões causados por celulares devem, na verdade, estar relacionados, às faíscas de estática.

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“Usar um celular não vai explodir um posto de gasolina. Quando você entra e sai do carro, você gera eletricidade estática. Se você sentir uma faísca, geralmente está entre 10 e 20.000 volts de eletricidade estática – e isso é forte o suficiente para produzir a combustão de gás”, disse Savage em uma entrevista ao site Business Insider.

Apesar de existirem pouquíssimas informações sobre supostos casos envolvendo celulares e bombas de abastecimento, Michael Marando explica que em teoria isso poderia acontecer. Ou seja, mesmo que não seja algo comum, é importante que as pessoas evitem utilizar o dispositivo nas áreas externas de um posto de gasolina.

No fim, usar celulares em uma área de abastecimento pode ser considerado um mito e uma verdade ao mesmo tempo. Afinal, não existe nenhuma comprovação real de que os aparelhos possam causar explosões em postos de gasolina, mas a teoria sugere que isso poderia acontecer em situações extremamente específicas.

“Para eu dizer que não há risco, eu realmente não posso fazer isso, porque pode haver uma chance muito, muito remota, uma em vários bilhões, de que isso possa acontecer. Há simplesmente muitos fatores que precisam se alinhar, tornando isso extraordinariamente raro”, Marando acrescenta.

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Tecmundo

 

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