O hábito de conferir mensagens, navegar pelas redes sociais ou assistir a vídeos antes de dormir pode parecer inofensivo, mas merece atenção. O uso excessivo do celular durante a noite pode comprometer a qualidade do sono, aumentar a ansiedade e provocar consequências para a saúde física e emocional.
O alerta é de Claudia Melo, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, que destaca os efeitos da exposição constante aos estímulos digitais nos momentos que antecedem o descanso.
Segundo a especialista, permanecer conectado até a hora de dormir pode dificultar o relaxamento do cérebro, atrasar o início do sono e comprometer a recuperação física e mental.
“O cérebro precisa entender que está chegando o momento de desacelerar. Quando a pessoa permanece conectada até os últimos minutos antes de dormir, ela continua recebendo estímulos que podem aumentar o estado de alerta e prejudicar o início e a profundidade do sono”, explica.
Além da dificuldade para adormecer, o uso noturno do smartphone pode provocar interrupções durante a madrugada e afetar a disposição no dia seguinte.
Cinco riscos de usar o celular antes de dormir
1. Dificuldade para pegar no sono
Um dos principais efeitos do uso do celular à noite está relacionado à luminosidade da tela.
A exposição à luz emitida pelos dispositivos eletrônicos pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por ajudar a regular o ciclo de sono e vigília.
Dependendo da intensidade da iluminação e do tempo de exposição, o organismo pode demorar mais para reconhecer que chegou o momento de descansar.
Além disso, vídeos, mensagens e publicações nas redes sociais mantêm a atenção voltada para novos estímulos, dificultando o relaxamento necessário para adormecer.
2. Sono mais leve e interrompido durante a noite
Mesmo depois de adormecer, manter o celular próximo à cama pode comprometer a continuidade do descanso.
Notificações, vibrações e sons de mensagens podem provocar despertares e tornar o sono mais fragmentado.
Outro fator é a expectativa de receber novas mensagens ou a vontade de verificar atualizações nas redes sociais durante a madrugada.
Essas interrupções podem reduzir a qualidade do descanso e contribuir para a sensação de cansaço ao acordar.
3. Aumento da ansiedade e da agitação mental
O consumo de notícias, vídeos e conteúdos das redes sociais antes de dormir também pode influenciar o estado emocional.
Dependendo das informações acessadas, a pessoa pode experimentar sentimentos de preocupação, ansiedade ou agitação.
Conversas pendentes, notícias negativas e comparações nas redes sociais podem manter a mente ativa quando o organismo deveria iniciar o processo de relaxamento.
A dificuldade de se desconectar pode prolongar preocupações do cotidiano e prejudicar a preparação para uma noite de sono tranquila.
4. Maior dependência do celular e das redes sociais
Levar o smartphone para a cama pode reforçar o hábito de utilizar o aparelho em qualquer momento livre, inclusive quando o corpo precisa descansar.
Com o passar do tempo, interromper a navegação pode se tornar mais difícil, especialmente diante da oferta contínua de vídeos, mensagens e atualizações.
Essa rotina reduz os momentos de desconexão e pode transformar o período reservado ao repouso em mais uma etapa de consumo de conteúdos digitais.
Estabelecer limites para o uso da tecnologia é uma forma de recuperar o equilíbrio entre as atividades online e as necessidades do organismo.
5. Cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração
As consequências de uma noite mal dormida podem aparecer logo nas primeiras horas do dia seguinte.
Entre os efeitos mais comuns estão cansaço, sonolência, dificuldade de concentração, redução da produtividade e alterações de humor.
Quando o uso do celular atrasa o horário de dormir ou provoca interrupções frequentes, a pessoa pode acabar descansando menos do que o necessário.
A repetição desse comportamento pode comprometer a disposição e o bem-estar ao longo da rotina.
Quanto tempo antes de dormir é recomendado desligar o celular?
Para reduzir os impactos do uso noturno das telas, Claudia Melo recomenda adotar hábitos de higiene do sono, conjunto de práticas que ajudam a preparar o organismo para o descanso.
Segundo a especialista, uma das medidas mais importantes é estabelecer um intervalo sem celular antes de se deitar.
“O ideal é evitar o uso do celular pelo menos 30 minutos antes de dormir e deixar o aparelho em um local mais distante da cama, preferencialmente com as notificações desativadas. Pequenas mudanças de hábito podem trazer benefícios importantes para a saúde física e mental”, orienta.
A recomendação busca reduzir os estímulos luminosos, sonoros e emocionais que podem dificultar o início do sono.
Como melhorar a qualidade do sono? Veja cinco dicas
Além de reduzir o tempo de exposição às telas, algumas atitudes simples podem tornar a rotina noturna mais saudável.
- Diminua a iluminação: mantenha o quarto com luz suave nos momentos que antecedem o sono, favorecendo o relaxamento.
- Escolha atividades tranquilas: leitura, exercícios de respiração e outras práticas relaxantes podem ajudar a desacelerar.
- Desative as notificações: silencie mensagens e alertas para evitar interrupções durante a madrugada.
- Mantenha o celular longe da cama: deixar o aparelho fora do alcance imediato pode diminuir a vontade de utilizá-lo.
- Estabeleça uma rotina de descanso: reserve um período para desacelerar e procure manter horários regulares para dormir e acordar.
As mudanças não precisam acontecer todas de uma vez. Pequenos ajustes na rotina podem ajudar a desenvolver uma relação mais equilibrada com a tecnologia.
Sono de qualidade é essencial para a saúde mental
O descanso adequado desempenha papel importante na memória, na concentração, no equilíbrio emocional e na recuperação do organismo.
Por isso, a especialista reforça que estabelecer limites para o uso de dispositivos eletrônicos é uma medida de cuidado com a saúde.
“Descansar adequadamente é fundamental para a saúde emocional e para a qualidade de vida. Estabelecer limites no uso da tecnologia é uma forma de cuidar de si mesmo”, conclui Claudia Melo.
A principal orientação é evitar que o celular seja a última atividade antes de dormir. Criar um momento de desconexão pode contribuir para noites mais tranquilas e uma rotina com mais disposição e bem-estar.
Fonte: Faculdade Anhanguera. Informações e orientações da psicóloga Claudia Melo, coordenadora do curso de Psicologia da instituição.


