• 14/06/2024

Três países europeus reconhecem Estado Palestino

A Irlanda, a Noruega e a Espanha anunciaram nesta quarta-feira (22/5) que vão reconhecer o Estado Palestino a partir de 28 de maio.

Pelo menos 140 membros da Assembleia Geral da ONU, incluindo o Brasil, reconhecem formalmente a Palestina como um Estado.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, explicou que a decisão “não é contra Israel” e tampouco “a favor do Hamas” — mas, sim, “a favor da paz”.

O premiê norueguês, Jonas Gahr Store, ressaltou, por sua vez, que a solução de dois Estados (um israelense e outro palestino) é a “única alternativa” para a paz no Oriente Médio; enquanto o primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, disse que a decisão ajudaria a criar um “futuro pacífico”.

Israel reagiu, no entanto, com fúria à decisão dos três países, chamando de volta seus embaixadores na Irlanda, na Noruega e na Espanha.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, disse ainda que iria convocar imediatamente os embaixadores destes três países em Israel para uma reunião de reprimenda, na qual eles vão assistir a vídeos do ataque de 7 de outubro.

“A história vai lembrar que a Espanha, a Noruega e a Irlanda decidiram conceder uma medalha de ouro aos assassinos e estupradores do Hamas, que estupraram adolescentes e queimaram bebês”, afirmou Katz.

Israel não reconhece o Estado Palestino, e o atual governo se opõe à criação de um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza. O argumento é que tal Estado seria uma ameaça à existência de Israel.

Já os líderes palestinos celebraram a decisão, classificada como um “momento histórico” pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), e um “momento de virada” pelo Hamas.

Medida não vai mudar realidade no campo de batalha

A maior parte do mundo, incluindo o Brasil, já reconhece a Palestina como um Estado. No início deste mês, 143 dos 193 membros da Assembleia Geral das Nações Unidas votaram a favor da adesão da Palestina à ONU, algo que só pode ser feito por Estados.

Até a manhã desta quarta-feira, apenas nove países europeus apoiavam a criação de um Estado palestino, e a maioria deles tomou esta decisão em 1988, quando fazia parte do bloco soviético. Sendo assim, o fato de a Noruega, a Irlanda e a Espanha se juntarem a este grupo é algo raro e, ao mesmo tempo, significativo.

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Estes países esperam não só sinalizar seu apoio simbólico aos palestinos, como também impulsionar um processo político que esperam ser capaz de ajudar a pôr fim aos combates.

Muitos países árabes dizem que só ajudariam a policiar e a reconstruir Gaza no pós-guerra se o Ocidente reconhecesse o Estado da Palestina como parte desse processo político.

Mas a maioria dos outros países europeus ainda acredita que o reconhecimento deveria ocorrer apenas como parte de uma solução a longo prazo de dois Estados (um israelense e outro palestino) para o conflito.

Assim, a Noruega, a Irlanda e a Espanha estão fazendo uma jogada diplomática que eles esperam ser adotada por outros. Mas isso não vai mudar a realidade no campo de batalha.

Uma decisão ‘a favor da paz’

Ao anunciar a decisão de reconhecer o Estado Palestino, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, declarou:

“Este reconhecimento não é contra Israel, não é contra os judeus.”

“Não é a favor do Hamas, como foi dito. Este reconhecimento não é contra ninguém, é a favor da paz e da coexistência”.

A Noruega destacou, por sua vez, que uma solução duradoura na região “só será alcançada por meio de uma solução de dois Estados”.

“Não haverá paz no Oriente Médio sem uma solução de dois Estados. Não pode haver uma solução de dois Estados sem um Estado Palestino”, afirmou o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, em comunicado.

“Em outras palavras, um Estado Palestino é um pré-requisito para alcançar a paz no Oriente Médio.”

O primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, ecoou este pensamento, dizendo que uma solução de dois Estados é o “único caminho confiável” para a paz.

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“Estamos três décadas depois dos Acordos de Oslo, e talvez mais longe do que nunca de um acordo de paz justo, sustentável e abrangente”, acrescentou.

Segundo ele, a decisão não deveria esperar “indefinidamente” para ser tomada, quando é “a coisa certa a fazer”.

‘Terrorismo compensa’, afirma Israel

Em resposta à decisão dos três países de reconhecer um Estado Palestino, Israel afirmou que vai convocar de volta ao país seus representes diplomáticos na Irlanda, na Noruega e na Espanha “para consultas urgentes”.

O ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, disse ainda que vai convocar imediatamente os embaixadores destes três países em Israel para uma reunião de reprimenda, na qual eles vão assistir a vídeos do sequestro de mulheres soldados israelenses durante o ataque de 7 de outubro.

“A história vai lembrar que a Espanha, a Noruega e a Irlanda decidiram conceder uma medalha de ouro aos assassinos e estupradores do Hamas, que estupraram adolescentes e queimaram bebês”, afirmou Katz.

“Ordenei que os embaixadores fossem imediatamente convocados para uma conversa de reprimenda — durante a qual eles vão assistir ao terrível vídeo do rapto das observadoras mulheres para ilustrar para eles como a decisão que seus governos tomaram foi distorcida.”

“Israel não vai passar por isso em silêncio — a iniciativa deles vai ter sérias consequências”, acrescentou.

Segundo ele, “a decisão de hoje envia uma mensagem aos palestinos e ao mundo: o terrorismo compensa”.

“Depois de a organização terrorista Hamas ter realizado o maior massacre de judeus desde o Holocausto, depois de ter cometido crimes sexuais hediondos testemunhados pelo mundo, estes países escolheram recompensar o Hamas e o Irã ao reconhecer um Estado Palestino”, completou Katz.

“Este passo distorcido por parte destes países é uma injustiça para a memória das vítimas do 7 de outubro, um golpe nos esforços para liberar os 128 reféns, e um incentivo ao Hamas e aos jihadistas do Irã, o que prejudica a possibilidade de paz e questiona o direito de Israel de legítima defesa.”

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‘Passo significativo’, diz Ministério das Relações Exteriores palestino

Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores palestino, baseado na Cisjordânia, celebrou a decisão dos três países.

“Com este passo significativo, a Espanha, a Noruega e a Irlanda demonstraram mais uma vez o seu compromisso inabalável com a solução de dois Estados e com fazer justiça, há muito tempo esperada, ao povo palestino”, diz o comunicado divulgado.

“Além disso, os reconhecimentos da Espanha, Noruega e Irlanda estão em conformidade com o direito internacional, e com todas as resoluções relevantes das Nações Unidas — o que, por sua vez, vai contribuir positivamente para todos os esforços internacionais para acabar com a ocupação ilegal israelense e alcançar a paz e a estabilidade na região.”

O comunicado prossegue fazendo um apelo para que outros países “tomem esta decisão de princípio o mais rápido possível”.

‘Momento histórico’ para a OLP

O secretário-geral do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Hussein al-Sheikh, classificou a notícia como um “momento histórico”.

Segundo ele, o reconhecimento de um Estado Palestino “é o caminho para a estabilidade, segurança e paz na região”.

A OLP é reconhecida internacionalmente como o principal representante dos palestinos.

‘Momento de virada’, diz Hamas

O grupo palestino Hamas — que assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007 — também comemorou a decisão dos três países.

Em declaração à agência de notícias AFP, Bassem Naim, um importante membro do Hamas, afirmou que a “brava resistência” do povo palestino está por trás desta medida.

“Estes reconhecimentos sucessivos são resultado direto desta brava resistência e da lendária perseverança do povo palestino”, ele disse.

“Acreditamos que este será um momento de virada na posição internacional sobre a questão palestina.”

A decisão dos três países foi anunciada poucos dias depois de o procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI) ter solicitado a emissão de mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, por crimes de guerra.

BBC News Brasil

 

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