• 14/06/2024

OMS cobra da China ‘acesso total’ para investigar origem da Covid-19

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) cobrou de Pequim mais informações sobre a origem da Covid-19 e disse que a entidade está pronta para enviar uma segunda equipe ao país para investigar o surgimento do Sars-Cov-2, já que a origem da pandemia ainda não está clara quase quatro anos após os primeiros casos surgirem na cidade chinesa de Wuhan.

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“Estamos pressionando a China para ter acesso total e estamos pedindo a países que levantem a questão durante suas reuniões bilaterais, [para pedir a Pequim] para cooperar”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Já pedimos por escrito para nos fornecerem informações e também estamos dispostos a enviar uma equipe se nos permitirem fazê-lo.”

Os comentários do chefe da OMS surgem enquanto as autoridades de saúde atualizam as vacinas após um aumento nos casos de coronavírus. Embora os cientistas concordem que o mundo não está mais na fase aguda da pandemia, o órgão de saúde global afirmou que as nações devem aumentar a vigilância das subvariantes, como a BA.2.86, e outras variantes da ômicron.

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Os líderes mundiais discutirão pela primeira vez a preparação para pandemias em reuniões durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

As duas teorias mais proeminentes sugerem um salto do vírus de animais para humanos por meio dos mercados de Wuhan ou uma contaminação decorrente de um vazamento acidental do laboratório de virologia da cidade. Mas nenhum consenso científico surgiu do debate, e Tedros reiterou que todas as opções permanecem “em aberto”.

“A menos que tenhamos evidências que eliminem quaisquer dúvidas, não podemos simplesmente dizer isso ou aquilo”, afirmou ele. Mas ele disse acreditar que “teremos a resposta. É uma questão de tempo.”

Sobre sua reunião com Xi, Tedros disse: “Fui e encontrei o presidente. Os funcionários abaixo dele não estavam dispostos a nos permitir enviar uma equipe. Então, tive que viajar para convencê-lo por que isso é tão importante”.

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Um dia depois de Tedros retornar a Genebra, segundo o diretor-geral, a OMS declarou a Covid-19 uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, a mais alta designação utilizada pela entidade. Essa classificação foi revogada somente em maio deste ano.

A OMS foi acusada de ser muito leniente com a resposta inicial da China, o que, segundo críticos, permitiu que as taxas de transmissão global disparassem além de suas fronteiras. Mas Tedros rejeitou essa versão, dizendo que a organização colaborou com a China enquanto tomava medidas para limitar o vírus, e depois criticou abertamente Pequim quando não permitiu que o órgão de saúde investigasse efetivamente as origens da Covid-19, disse ele.

A entidade voltou à China para realizar sua primeira missão sobre as origens no início de 2021, mas retornou com um relatório inconclusivo e altamente criticado, citando a falta de cooperação de Pequim como um fator. “Sobre o estudo de origem, como eles não nos estão dando acesso total, começamos as discussões em particular e, quando eles se recusaram a cooperar, tornamos isso público”, disse Tedros.

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“Se soubermos [a origem], então podemos prevenir a próxima. Portanto, é ciência”, disse ele. “Não será moralmente correto se não soubermos o que aconteceu.”

Ele disse que “a pandemia foi politizada desde o início”. Em meados de 2020, o então presidente dos EUA, Donald Trump, retirou temporariamente o financiamento e ameaçou retirar Washington da OMS à medida que a pressão aumentava com surto do novo coronavírus. Tais medidas complicaram a necessidade de construir “solidariedade global” em torno do gerenciamento da crise de saúde pública, disse Tedros.

Embora ainda não haja respostas para “todos aqueles que pagaram por esta pandemia”, Tedros disse que a crise do coronavírus fez com que muitos governos percebessem o valor de fortalecer a resiliência de seus sistemas de saúde.

“Em muitos países, a saúde não é considerada central para o desenvolvimento. E a saúde é realmente considerada um custo”, disse ele. “E agora [após a pandemia], acho que as pessoas estão começando a perceber que é realmente um investimento que pode prevenir pandemias.”

(Folha de São Paulo)

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