Pesquisa mostra que 39% dos brasileiros chegaram ao limite emocional várias vezes no último ano; especialista explica quando a tensão deixa de ser normal e passa a comprometer a saúde
Pressão no trabalho, excesso de tarefas, dificuldades financeiras, conflitos familiares e preocupação constante com o futuro. O estresse faz parte da vida, mas quando o estado de alerta se torna permanente pode começar a comprometer a saúde física e mental.
O problema tem se tornado cada vez mais frequente entre os brasileiros. Segundo o Ipsos Health Service Report 2025, 39% dos brasileiros afirmaram ter se sentido várias vezes, no último ano, tão estressados que acreditaram não conseguir lidar com a situação. Outros 31% disseram ter vivido essa experiência ao menos uma vez, colocando o Brasil entre os cinco países com os maiores índices de estresse intenso no levantamento.
Os dados acendem um alerta para uma condição que, quando persistente, pode afetar o sono, a concentração, os relacionamentos e até o funcionamento do organismo.
Quando o estresse deixa de ser normal?
Segundo o médico acupunturiatra Eduardo D’Alessandro, diretor de marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAESP), o estresse é uma reação natural do corpo diante de situações que exigem adaptação.
O problema surge quando esse mecanismo de defesa permanece ativado por tempo prolongado, sem que o organismo tenha períodos adequados de recuperação.
“O estresse faz parte da vida e, em determinadas situações, pode até ajudar o organismo a reagir diante de um desafio. A preocupação começa quando ele se torna frequente, intenso e passa a interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou nas atividades do dia a dia”, explica.
Quais são os principais sintomas do estresse?
Nem sempre o estresse aparece apenas como preocupação ou irritação. O corpo costuma dar sinais antes que a pessoa perceba o nível de sobrecarga emocional.
Entre os sintomas mais comuns estão:
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tensão muscular;
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dores de cabeça frequentes;
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cansaço persistente;
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alterações no sono;
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dificuldade de concentração;
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irritabilidade;
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aceleração dos batimentos cardíacos;
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alterações gastrointestinais;
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sensação constante de estar no limite.
Segundo o especialista, o importante é observar quando esses sintomas deixam de ser episódios isolados e passam a fazer parte da rotina.
“O corpo pode dar sinais de que está sobrecarregado antes mesmo de a pessoa perceber o nível de estresse em que se encontra”, afirma.
O que aumenta o risco de estresse?
Diversos fatores podem favorecer o desenvolvimento de um quadro prolongado de estresse.
Entre eles estão:
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excesso de trabalho;
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noites mal dormidas;
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falta de descanso;
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problemas financeiros;
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conflitos familiares;
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mudanças importantes na vida;
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pressão constante;
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ausência de atividade física;
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rotina sem pausas.
Quando esses fatores se acumulam, o organismo pode encontrar mais dificuldade para recuperar o equilíbrio entre momentos de tensão e descanso.
Como controlar o estresse?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da realidade de cada pessoa, mas algumas mudanças de hábito podem contribuir para reduzir a sobrecarga.
Entre as estratégias recomendadas estão:
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melhorar a qualidade do sono;
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praticar atividade física regularmente;
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manter alimentação equilibrada;
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reservar momentos de descanso;
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utilizar técnicas de relaxamento.
Quando os sintomas passam a comprometer a rotina, o acompanhamento profissional torna-se importante.
A avaliação psicológica e médica pode ajudar a identificar as causas e definir o tratamento mais adequado para cada caso.
Acupuntura pode complementar o tratamento
Segundo Eduardo D’Alessandro, a acupuntura pode integrar uma abordagem complementar para pessoas que apresentam sintomas relacionados ao estresse e à ansiedade.
O especialista ressalta, porém, que o método não substitui o acompanhamento médico ou psicológico quando esse atendimento é necessário.
“A acupuntura pode ser utilizada como parte de um cuidado integrado, de acordo com as necessidades de cada paciente.”
Cuidar do estresse é cuidar da saúde
Especialistas destacam que o objetivo não é eliminar completamente as situações de tensão — inevitáveis na vida cotidiana —, mas impedir que o organismo permaneça continuamente em estado de alerta.
Reconhecer os sinais precoces, adotar hábitos que favoreçam a recuperação e buscar ajuda quando os sintomas persistem pode fazer diferença para preservar a saúde física e emocional.

