• 22 de janeiro de 2022

Setembro Verde: entenda o que provoca o câncer de intestino

Além da campanha em prevenção ao suicídio, setembro é conhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de intestino. A campanha “Setembro Verde” foi promovida pela primeira vez em 2015 pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) em parceria com a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), visando informar a população sobre forma de prevenção contra a doença.

Poucos sabem, mas o câncer de intestino – que abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino) e ânus – é o terceiro tipo mais comum, responsável por cerca de 10% de todos os diagnósticos de câncer.

Além disso, segundo dados da estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), no triênio 2020-2022 o país registrará 625 mil novos casos de câncer ao ano, sendo que o colorretal (quando se desenvolve no intestino grosso: no cólon ou em sua porção final, o reto) e o de estômago serão o terceiro e o quinto mais prevalentes, com incidência de 41 mil e de 21 mil casos, respectivamente.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o rastreio do câncer de cólon e reto da população adulta de risco habitual na faixa etária de 50 anos.

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Como surge

De acordo com Artur Ferreira, médico oncologista, a maioria desses tumores surge por meio da transformação maligna das células que revestem esses órgãos. “Como grupo, possuem inúmeras causas, entre as quais se destacam sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo e etilismo, alto consumo de carne vermelha e carne processada, baixa ingestão de fibras e vegetais, diabetes e infecções como hepatites B e C, infecção pelo Helicobarter Pylori e infecção pelo Papilomavírus Humano, o HPV”, explica.

Fatores hereditários também são importantes, mas o médico ressalta que eles exercem menor influência no surgimento dessas doenças do que as causas listadas.

A importância do controle precoce da doença

Segundo Renata D’Alpino, oncologista, há muitos tabus que cercam o rastreio preventivo do câncer colorretal, o que contribui para a baixa adesão ao controle precoce da doença mesmo entre pessoas que fazem parte do grupo com risco aumentado.

“Muitas vezes, o tumor só é descoberto tardiamente, diante de sintomas mais severos, como anemia, constipação ou diarreia sem causas aparentes, fraqueza, gases, cólicas abdominais e emagrecimento”, explica Renata.

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Além disso, apesar do sangue nas fezes ser um indício inicial de que algo não vai bem na saúde, de acordo com Renata, muitas pessoas costumam creditar essa ocorrência a outras causas convencionais, como hemorroidas, e acabam postergando a busca por um especialista e a realização de exames específicos.

“Isso faz com que muitas pessoas só descubram o câncer em estágios avançados”, diz.

Prevenção

Não se desespere! Em relação ao colorretal, segundo Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico, geralmente tem cura se for diagnosticado precocemente e a taxa de mortalidade não chega a 6%. “O tratamento costuma ser iniciado por uma cirurgia para remover a parte afetada do intestino e depois complementado por radioterapia e quimioterapia, podendo variar de acordo com cada paciente e seu respectivo estado clínico”, explica.

Ademais, além de manter hábitos saudáveis, é fundamental fazer o rastreamento por meio de exames periódicos de colonoscopia a partir dos 50 anos para detectar o tumor em fase inicial e, assim, aumentar as chances de cura.

É importante também prestar atenção nos sinais que possam indicar a doença, como presença de sangue nas fezes, dores abdominais frequentes, mudança repentina no ritmo intestinal e perda de peso sem explicação. “Muitas vezes esses sintomas podem não estar relacionados ao câncer, mas é fortemente recomendado que se procure um médico para investigar as causas”, clarifica Heber.

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Tratamento

Vai depender do tipo, da localização do tumor e também da forma como ele está apresentado – localizado ou disseminado. Porém, a abordagem pode incluir cirurgia, quimioterapia (combinada ou não à radioterapia), terapias com drogas alvo-moleculares e imunoterapia.

“São doenças potencialmente curáveis quando diagnosticadas em sua fase inicial”, afirma Artur. “E praticamente incuráveis quando se apresentam disseminadas pelo organismo, em metástases”, complementa.

Por isso, é importante o rastreamento precoce quando indicado, para que o diagnóstico pegue o tumor em sua fase inicial e a chance de cura seja maior.

Fontes: Artur Ferreira, médico oncologista do CPO/Oncoclínicas; Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Renata D’Alpino, oncologista e líder da especialidade de tumores gastrointestinais e neuroendócrinos do Grupo Oncoclínicas.

(Saúde em Dia)

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