• 24 de outubro de 2021

O canto da gente, a gente escolhe – por Izalci Lucas

“Meu Deus, mas que cidade linda”, Renato Russo

Às vésperas de completar 60 anos, Brasília continua sendo uma das mais belas e a mais moderna cidade do país. É, sobretudo, para nosso orgulho, a capital da arquitetura moderna do mundo. Em todas as faculdades de arquitetura e urbanismo do planeta, Brasília é estudada e apreciada. Só aqui, no nosso próprio país, não é cultuada e reverenciada como deveria ser.

Digo isso porque não se exalta o papel da capital para o desenvolvimento do país. Ninguém diz que só a partir de Brasília é que o interior do Brasil começou a integrar-se, a comunicar-se, a ser um só Brasil. Digo isso porque não se exalta o papel da capital nas suas linhas e curvas, antes impensáveis na arquitetura, assim como não se exalta o papel de nossos arquitetos, engenheiros, paisagistas e artistas que fizeram desse Planalto Central uma obra de arte para o resto do mundo e a tornaram um museu a céu aberto.

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Mas, para fazer Brasília era preciso convencer os brasileiros da importância de se integrar o país. Era preciso acabar com o apartheid que dividia o nosso país entre os ricos da praia e os pobres do interior.

Era preciso coragem, ousadia e competência. Unir as forças do bem e a vontade de Deus. Estou falando do presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, o predestinado. Aquele que veio para nos possibilitar a oportunidade de tornar o nosso país um só, integrando-o de norte a sul, de leste a oeste, com a mais bela capital, localizada justamente no centro do Brasil.

Depois de Brasília, o Brasil se desenvolveu, evoluiu e se integrou. E tudo isso só foi possível porque homens e mulheres de todo o país acreditaram no sonho do presidente JK e construíram a nossa capital. Sou filho de um mineiro que acreditou nesse sonho e contra tudo e contra todos resolveu que seu lugar era aqui no cerrado, no barro vermelho da capital em construção.

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Meu pai, seu Antônio Ferreira Neto, certamente, lutou com todas as forças para convencer a família em nossa pequena cidade de Araújos, no interior mineiro, de que valia a pena fazer parte da história de Brasília. Ele teve que vir sozinho, a família viria mais tarde. Como meu pai, brasileiros de todos os cantos também vieram em busca do sonho e do eldorado. No início de Brasília tínhamos os cariocas ainda inconformados com a perda da capital, os mineiros que acreditaram no chamado de seu conterrâneo mais ilustre e os nordestinos com a força e a disposição para transformar Brasília na abertura para todos os caminhos do interior do país.

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Chegamos aqui, eu e meus irmãos, alguns anos após a vinda de meu pai. Viemos em uma carroceria de caminhão como outros candangos. Nunca me esqueço da imagem de amplidão, do céu azul e mais perto da gente, e ainda do barro vermelho que nos fazia correr dos redemoinhos. Brasília era ainda um lugar para desbravar, estava incompleta e, para nós, crianças, o grande sítio para brincar.

Brasília é o canto que meu pai escolheu para viver e criar sua família. O canto da gente, a gente escolhe. Eu poderia escolher outro, meus irmãos também, meus filhos idem. Porém aqui ficamos. Meus filhos são filhos de Brasília e agora chega mais uma geração, meus netos, os novos filhos de Brasília, essa cidade linda.

Izalci Lucas é senador do PSDB do Distrito Federal, professor e contador.

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