• 20/06/2024

Vaticano aprova bênçãos para casais do mesmo sexo

O Vaticano anunciou nesta segunda-feira, em uma decisão histórica aprovada pelo papa Francisco, que os padres podem administrar bênçãos a casais do mesmo sexo, desde que não façam parte dos rituais ou liturgias regulares da Igreja.

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Um documento do escritório doutrinário do Vaticano informou que tal bênção não legitimaria situações irregulares, mas seria um sinal de que Deus acolhe a todos. Não deve de forma alguma ser confundido com o sacramento do casamento heterossexual, acrescentou.

O documento diz que os padres devem decidir caso a caso e “não devem evitar ou proibir a proximidade da Igreja com as pessoas em todas as situações em que elas possam buscar a ajuda de Deus por meio de uma simples bênção”.

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O papa indicou que uma mudança oficial estava em andamento em outubro, em resposta a questões apresentadas por cinco cardeais conservadores no início de um sínodo de bispos no Vaticano.

Embora a resposta em outubro tenha sido mais variada, o documento de segunda-feira, cujo subtítulo é “Sobre o Significado Pastoral das Bênçãos”, descreve situações específicas. Uma seção foi intitulada “Bênçãos de casais em situações irregulares e de casais do mesmo sexo”.

A Igreja ensina que a atração pelo mesmo sexo não é pecaminosa, mas os atos homossexuais são. Desde a sua eleição em 2013, Francisco tem tentado tornar a Igreja mais acolhedora para as pessoas LGBT, sem alterar a doutrina moral sobre a atividade entre pessoas do mesmo sexo.

O padre James Martin, um proeminente padre jesuíta norte-americano que administra a comunidade LGBT, chamou o documento de “um grande passo à frente no ministério da Igreja” para eles.

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Em publicação na plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, Martin disse que o documento “reconhece o desejo profundo de muitos casais católicos do mesmo sexo pela presença de Deus nas suas relações amorosas”, acrescentando que “juntamente com muitos padres, terei agora o prazer de abençoar meus amigos em uniões do mesmo sexo”.

O documento, cujo título em latim é Fiducia Supplicans (Suplicando Confiança), diz que a forma da bênção “não deve ser fixada ritualmente pelas autoridades eclesiais para evitar confusão com a bênção própria do Sacramento do Matrimônio”.

Afirmou que pode ser aplicado àqueles que “não reivindicam uma legitimação do seu próprio status, mas que imploram que tudo o que é verdadeiro, bom e humanamente válido nas suas vidas e nas suas relações seja enriquecido, curado e elevado pela presença do Espírito Santo”.

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“Em última análise, uma bênção oferece às pessoas um meio de aumentar a sua confiança em Deus”, afirmou, acrescentando que “precisa ser nutrida, não impedida”.

O documento diz que a bênção não deve estar vinculada ou programada a uma cerimônia de casamento civil e ser realizada sem nenhuma das “roupas, gestos ou palavras próprias de um casamento”.

Os locais para tais bênçãos podem ser “em outros contextos, como uma visita a um santuário, um encontro com um sacerdote, uma oração recitada em grupo ou durante uma peregrinação”.

O documento deve enfrentar a oposição dos conservadores, que criticaram o papa quando ele fez seus primeiros comentários sobre o assunto, em outubro.

(Reuters)

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