Coleção-cápsula “Brasília Viva – 66 anos” reúne referências à arquitetura modernista, ao Cerrado e à diversidade cultural do Distrito Federal
A arquitetura, as cores e a diversidade cultural de Brasília ganharam uma nova interpretação pelas mãos de alunas do curso de Estilista de Moda do Senac em Sobradinho. No dia 21 de julho, a turma apresentou uma coleção-cápsula inspirada na capital federal durante o desfile de conclusão do Projeto Integrador (PI).
Batizada de “Brasília Viva – 66 anos”, a coleção reuniu peças que transformaram elementos da arquitetura, das paisagens naturais e da identidade cultural do Distrito Federal em moda.
A ideia começou a ganhar forma durante pesquisas realizadas em sala de aula sobre os movimentos artísticos Art Nouveau e Art Déco. Enquanto o Art Nouveau é caracterizado por linhas orgânicas, sinuosas e fluidas, o Art Déco valoriza formas geométricas, simetria e traços bem definidos.
A partir desses conceitos, as estudantes passaram a explorar elementos que dialogam com o desenho moderno de Brasília e sua marcante identidade arquitetônica.
“A construção da coleção permitiu que as alunas aplicassem, na prática, todas as etapas aprendidas durante o curso, desde a pesquisa e a definição do conceito até a criação, a modelagem e a produção das peças. Brasília oferece muitas possibilidades criativas, porque reúne arquitetura, natureza, história e diversidade cultural”, destacou a instrutora Célia Cavalcante.
Brasília como inspiração
Criada durante as comemorações pelos 66 anos de Brasília, a coleção também coincidiu com o lançamento do quiz “Minha Brasília”, desenvolvido pelo Senac-DF em parceria com o jornalista Daniel Zukko.
O projeto buscou apresentar diferentes olhares sobre a capital e trouxe referências ao Plano Piloto, Cerrado, Conic, Ceilândia e às diversas manifestações culturais encontradas no Distrito Federal.
Monumentos e elementos arquitetônicos conhecidos dos brasilienses também serviram de inspiração. Entre eles estão a Catedral Metropolitana, Ponte JK, Panteão da Pátria, cobogós e azulejos modernistas, além das curvas características da arquitetura da cidade.
A natureza do Cerrado também ganhou protagonismo. As cores do céu de Brasília, as buganvílias, os ipês e os tons terrosos do solo do Planalto Central ajudaram a construir a identidade visual da coleção.
Do concreto às passarelas
As referências brasilienses deram origem a peças com silhuetas estruturadas, alfaiataria geométrica, diferentes texturas e combinações marcantes de cores.
Tons de branco, cinza e azul foram utilizados para representar o concreto e o céu da capital. Já vermelho, laranja, rosa, roxo e amarelo fizeram referência ao pôr do sol, à terra e às floradas características do Cerrado.
Para a aluna Eduarda Silvestre, que também ficou responsável pelo editorial do projeto, a proposta foi apresentar uma Brasília que ultrapassa a imagem tradicional dos monumentos.
“É uma cidade feita de encontros, contrastes e histórias e buscamos transformar a força do concreto, a leveza das curvas e a beleza do céu em roupas que transmitissem identidade e emoção”, explicou.
Além de Eduarda, a produção contou com criações de Alessandra Tavares, Luísa Abreu, Rebeca Oliveira, Suely Lustosa e Francisca de Assis.
As peças foram organizadas a partir de referências às diferentes estações do ano e receberam conceitos como “Entre Céu e Concreto”, “Traço Concreto”, “Chama Eterna”, “Encontros Urbanos”, “Vivacidade ao Entardecer”, “Resistência”, “Amor de Florada Efêmera”, “Poesia Dourada” e “Co.bo.gó”.
“Cada aluna trouxe um olhar diferente sobre Brasília. Algumas peças destacaram a imponência da arquitetura, enquanto outras valorizaram as flores, as cores e a resistência do Cerrado. O resultado foi uma coleção diversa, assim como a própria cidade”, destacaram as estudantes.
Formação alia criatividade e prática profissional
O Projeto Integrador integra a formação profissional oferecida pelo Senac-DF e permite que os estudantes reúnam, em um único trabalho, diferentes conhecimentos adquiridos ao longo do curso.
Na formação de Estilista de Moda, as alunas passaram por etapas como pesquisa de tendências, definição de público, desenvolvimento de conceito, criação e produção da coleção e, por fim, apresentação das peças.
Para Célia Cavalcante, o desfile também simbolizou o amadurecimento profissional das estudantes e a capacidade de transformar referências locais em uma produção autoral.
“Mais do que apresentar roupas, as alunas aprenderam a construir uma narrativa de moda. Elas pesquisaram, fizeram escolhas, enfrentaram desafios e deram vida a uma coleção autoral, conectada com o lugar onde vivem”, completou a instrutora.
Com referências que vão do concreto dos monumentos às cores intensas do Cerrado, “Brasília Viva – 66 anos” mostrou que a identidade da capital federal também pode ser traduzida por meio da moda, unindo criatividade, formação profissional e valorização da cultura local.

