• 19/07/2024

Número recorde de imigrantes segue em direção à fronteira dos EUA

Milhares de imigrantes entraram nos Estados Unidos (EUA) nos últimos dias, da Califórnia ao Texas, e muitos estão chegando de ônibus e trens de carga à fronteira com o México, em meio a fluxos migratórios recordes procedentes do sul.   

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O crescimento de imigrantes na fronteira, principalmente na cidade californiana de San Diego e nas texanas El Paso e Eagle Pass, marca nova tendência, depois de os números terem caído nos últimos meses e pode criar desafios políticos para o presidente norte-americano Joe Biden antes da eleição presidencial do ano que vem.

Em maio, Biden lançou nova política para impedir as entradas ilegais, incluindo a deportação de imigrantes e o impedimento da reentrada por cinco anos, em momento no qual seu governo lidava com números recordes de fluxo migratório.

Com um mês de implementação, as medidas mais restritivas diminuíram o cruzamento da fronteira em cerca de 70%. Mas o recente aumento de chegadas a regiões fronteiriças, associado a maior número de pessoas em direção ao norte, procedentes das américas Central e do Sul, por meio de perigosos trens de carga no México, sugerem que os efeitos dissuasivos estão perdendo força.

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Especialistas dizem que falta capacidade aos EUA de prender e processar os imigrantes na fronteira, tornando praticamente impossível para as autoridades aplicar as penalidades anunciadas em maio. Assim, alguns imigrantes detidos ficam no país à espera de audiência judicial, em vez de serem deportados.

“O governo desenhou uma estratégia esperta, mas não tem os recursos ou a capacidade de implementá-la”, afirmou Andrew Selee, chefe do Migration Policy Institute.

O presidente mexicano, André Manuel López Obrador, criticou nessa quinta-feira a falta de um plano internacional para ajudar os países a tirarem seus cidadãos da pobreza, evitando assim a principal causa da imigração. Ele elogiou Biden por criar vias legais para as pessoas que entram ilegalmente nos EUA, mas ressaltou que elas precisam ser ampliadas.

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Em Tijuana, na fronteira com San Diego, dezenas de pessoas se preparavam para passar a noite no chão antes de audiências na manhã do dia seguinte, agendadas por meio de um aplicativo chamado CBP One, para entrarem nos EUA e pedirem asilo. Mas nem todos estão dispostos a esperar.

“A família da minha esposa e outras pessoas que vieram ao México comigo disseram que cruzaram (sem audiência) e nada aconteceu”, afirmou o venezuelano Oscar Suarez, de 27 anos, sentado em uma praça perto da fronteira com sua mulher grávida, o filho de dois anos e dois irmãos. Ele afirmou que prefere usar a mesma estratégia em vez de esperar pelo aplicativo, cuja demanda supera com folga as 1.450 vagas diárias de audiências. “Nosso dinheiro acabou e não temos nada para comer. Todos os abrigos de Tijuana estão cheios. Precisamos fazer algo”, afirmou.

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Muitos imigrantes que optaram por cruzar a fronteira sem as audiências foram forçados a esperar entre dois muros.  Além disso, um número sem precedentes de imigrantes entrando no México é oriundo de outros continentes, pois a chegada aos EUA pela fronteira sul se tornou rota migratória global. O número de imigrantes africanos registrado pelas autoridades mexicanas neste ano é três vezes maior do que a observada em todo o ano de 2022.

“É estrutural, um problema mais profundo. Há uma crise exacerbada e global em muitos países. As pessoas não querem deixar suas casas porque querem, fazem isso porque precisam”, disse o presidente mexicano.

(Agência Brasil / Reuters)

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