Muita gente acredita que não cresce porque falta dinheiro. Outros dizem que o problema é o governo. Tem quem culpe o algoritmo, o bairro, a concorrência ou a falta de oportunidade.
E sim: tudo isso pesa.
Mas, na prática, o que mais trava um empreendedor não é o mercado.
É a mentalidade.
Porque enquanto o mercado muda, a economia oscila e as tendências variam, existe um fator que continua sendo decisivo: a forma como o empreendedor pensa, reage e se posiciona diante do próprio negócio.
Mentalidade empreendedora não é frase bonita de Instagram
Mentalidade empreendedora não é romantização.
Não é “lei da atração”.
Não é só motivação e discurso pronto.
Mentalidade empreendedora é postura. É escolha. É responsabilidade.
É entender que, mesmo com pouco, dá para fazer hoje uma entrega melhor do que a de ontem.
Dá para melhorar atendimento, ajustar o preço, estudar o cliente, organizar a rotina, revisar processos e fortalecer presença.
Não com perfeição. Com consistência.
O que eu mais vejo: gente boa travada no “cenário ideal”
Eu vejo muita gente talentosa, criativa e cheia de potencial… parada.
Parada porque espera o momento certo.
Parada porque acha que ainda não está pronta.
Parada porque confunde medo com prudência.
E aqui vai o papo reto: cenário ideal não existe.
Quem empreende de verdade começa com o que tem, do jeito que dá, e ajusta no caminho.
A diferença não está em quem erra menos — está em quem aprende mais rápido e corrige antes de quebrar.
A mentalidade que sustenta um negócio de verdade
Empreender é entender, cedo ou tarde, que:
- Ninguém vai fazer por você
- Ninguém vai acreditar antes de você
- Ninguém vai te cobrar se você não se cobrar
É parar de tratar o negócio como “bico” e começar a tratar como projeto de vida e responsabilidade financeira.
E quando a mentalidade muda, o comportamento muda.
Quando o comportamento muda, o resultado aparece — mesmo que devagar.
O problema é que muita gente quer resultado rápido… mantendo a mentalidade velha.
Papo reto para fortalecer a mente empreendedora
1) Pare de terceirizar a culpa
O mundo não é justo. Isso é verdade.
Mas enquanto você aponta o dedo, o tempo passa.
E enquanto o tempo passa, alguém com menos talento, menos recurso e menos estrutura está fazendo acontecer.
Assumir responsabilidade não é se culpar.
É se libertar.
Seus objetivos são importantes principalmente para você — então não coloque nos outros o peso do que é sua missão.
2) Disciplina vale mais que talento
Talento sem rotina vira frustração.
Quem cresce não é o mais genial.
É o mais constante.
Disciplina é o que coloca o empreendedor no lugar real de empresário: alguém que executa, mede, corrige e repete.
Não porque ama fazer tudo, mas porque entende que negócio não se sustenta só com inspiração.
A consistência revela onde você está errando — e também onde estão seus melhores resultados.
3) Aprenda com quem já passou pelo caminho
Pedir ajuda não é fraqueza.
É inteligência.
Vergonha não é buscar orientação. Vergonha é repetir o mesmo erro por orgulho.
Mentoria, troca, network e escuta ativa economizam tempo, dinheiro e sofrimento.
E te colocam num lugar de aprendizado constante.
Nem todo mundo precisa “cair no buraco” para entender que existe um buraco.
Aproveite exemplos reais e desvie dos percalços antes que eles virem prejuízo.
Você quer um negócio diferente? Vai precisar ser uma pessoa diferente.
Pensar diferente.
Agir diferente.
Decidir diferente.
A mentalidade empreendedora não garante sucesso — porque não existe garantia no empreendedorismo.
Mas sem ela, o fracasso vem cedo. Pode acreditar.
Porque o empreendedor que não desenvolve mentalidade forte troca execução por desculpa, e consistência por ansiedade. E o mercado não perdoa isso por muito tempo.
Se você está lendo com atenção e pensando no quanto seu negócio pode evoluir com uma mudança interna, isso é um sinal: você já começou.
Agora é continuar. Um passo por vez. Mas sem voltar para o mesmo lugar.
*Didi Barroso é produtor de eventos, gestor de projetos de impacto social e empreendedor com mais de 20 anos de atuação. Coordena grandes eventos, atua como mentor de empreendedores periféricos e é gestor do Instituto ProduKa.


