• 08/10/2026

Fiocruz alerta para aumento de vírus respiratórios no Brasil; veja estados em risco

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu, nesta quinta-feira (8), um novo alerta sobre o avanço de vírus respiratórios no Brasil. O boletim semanal InfoGripe aponta tendência nacional de aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2, vírus responsável pela covid-19.

Apesar da tendência de crescimento, os pesquisadores destacam que o número de novos casos semanais de SRAG provocados pela covid-19 permanece baixo no país.

O levantamento também identifica um leve sinal de retomada do crescimento das hospitalizações por SRAG entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Nas demais faixas etárias, o cenário apresenta estabilidade.

Diante dos dados, a Fiocruz reforça a importância da vacinação, especialmente entre os grupos prioritários, para reduzir o risco de complicações e internações.

Fiocruz identifica aumento de três vírus respiratórios

De acordo com o InfoGripe, três agentes infecciosos apresentam tendência de crescimento em nível nacional:

  • Rinovírus: associado principalmente a infecções respiratórias, como o resfriado comum, mas que também pode provocar quadros graves em pessoas vulneráveis.

  • Metapneumovírus: pode causar infecções respiratórias e está relacionado ao aumento de casos graves entre crianças em alguns estados.

  • Sars-CoV-2: responsável pela covid-19, apresenta tendência de crescimento, embora a incidência semanal de casos graves permaneça baixa.

Em contrapartida, os casos de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) e à influenza B estão em queda.

As hospitalizações provocadas pela influenza A permanecem estáveis, com baixos níveis de incidência.

Três estados apresentam crescimento de casos graves

O boletim destaca que Alagoas, Roraima e Sergipe apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, acompanhada de sinais de crescimento nas últimas seis semanas.

O aumento ocorre principalmente entre crianças e adolescentes.

Em Alagoas e Sergipe, a elevação está associada ao metapneumovírus. Já em Roraima, os dados disponíveis ainda não permitem identificar com segurança qual vírus está provocando o crescimento dos casos.

Outros cinco estados apresentam atividade de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem indicação de crescimento sustentado na tendência de longo prazo: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Cinco capitais estão em alerta para SRAG

O monitoramento da Fiocruz também identificou cinco capitais brasileiras com atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas.

São elas: Aracaju (SE), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES).

O Distrito Federal não aparece entre as unidades da federação destacadas pelo boletim com incidência elevada de SRAG, nem Brasília entre as cinco capitais em alerta.

Isso não significa ausência de circulação de vírus respiratórios, mas indica que a capital federal não integra os locais apontados nesses recortes específicos do levantamento.

Crianças pequenas e idosos são os mais vulneráveis

Os dados das últimas oito semanas epidemiológicas mostram que a SRAG continua provocando impactos mais expressivos nas faixas etárias extremas.

A maior incidência da síndrome ocorre entre crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade apresenta impacto mais elevado na população com 65 anos ou mais.

A SRAG é caracterizada por um quadro respiratório grave que pode exigir hospitalização, especialmente quando há dificuldade para respirar ou comprometimento da oxigenação.

Os sintomas que merecem atenção incluem falta de ar, dificuldade respiratória, piora importante do estado geral e sinais de baixa oxigenação. Em crianças pequenas, dificuldade para se alimentar, respiração acelerada e esforço para respirar também exigem avaliação médica imediata.

Fiocruz reforça vacinação contra covid-19 e VSR

Com a tendência de crescimento de alguns vírus respiratórios, os pesquisadores recomendam que a população incluída nos grupos prioritários verifique se a vacinação contra a covid-19 está atualizada.

A Fiocruz também chama atenção para a imunização de gestantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR), conforme as recomendações de vacinação aplicáveis.

A proteção é especialmente importante porque infecções respiratórias podem evoluir para quadros graves em bebês, idosos e pessoas com maior vulnerabilidade clínica.

Além da vacinação, medidas como higienizar as mãos, manter ambientes ventilados, evitar contato próximo com outras pessoas durante sintomas respiratórios e utilizar máscara quando indicado ajudam a reduzir a transmissão.

O que é a Síndrome Respiratória Aguda Grave?

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma condição clínica caracterizada pelo agravamento de uma infecção respiratória, que pode ser causada por diferentes vírus, incluindo influenza, coronavírus, VSR, rinovírus e metapneumovírus.

O monitoramento realizado pelo InfoGripe permite identificar mudanças na circulação desses agentes e acompanhar o impacto das infecções sobre as hospitalizações e mortes no país.

O boletim divulgado nesta quinta-feira (8) reforça que, embora a covid-19 ainda apresente baixos níveis de casos graves, a tendência de crescimento de diferentes vírus respiratórios exige atenção, principalmente diante do aumento observado entre crianças e adolescentes em algumas regiões brasileiras.

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