• 16/06/2024

Biscoito é vilão da merenda não saudável na escola, mostra estudo

Biscoitos são os vilões da alimentação não saudável nas escolas do Brasil.

Um estudo inédito mostra que esse tipo de alimento ultraprocessado é o quinto mais comprado para estudantes de escolas públicas no país —ele fica atrás apenas de carne bovina, frango, leite em pó e de banana.

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Em 2020, uma resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que fornece recursos a estados e municípios para a compra de alimentação escolar, determinou que a maioria dos alimentos oferecidos aos estudantes devem ser naturais (in natura) ou minimamente processados (arroz e feijão, por exemplo, que passam por algum processo industrial, como limpeza, mas sem adição de produtos químicos).

Foi estabelecido um limite máximo de 20% dos gastos para alimentos processados (industrializados com adição de sal, açúcar ou de outro ingrediente que torne o alimento mais durável, como legumes em conserva) e ultraprocessados (totalmente industrializado, com aditivos químicos, como biscoitos, salsichas, refrigerantes etc.)

O estudo sobre as compras para as escolas brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (9), é resultado de uma parceria entre pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da USP, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa), da Unicamp, e do Observatório de Alimentação Escolar. A equipe analisou a prestação de contas que estados e municípios fazem anualmente da compra de alimentos para escolas com verba federal.

Os pesquisadores optaram por avaliar como estava a alimentação nas escolas brasileiras antes da publicação da resolução que restringiu a compra de processados e ultraprocessados. Foram analisadas as prestações de conta de 2015, 2017 e 2019. Em uma segunda etapa, a equipe analisará as prestações posteriores à resolução e também à pandemia (as de 2021 e 2022), a fim de avaliar o impacto das restrições.

O estudo mostrou que, em 2019, mais de 60% dos municípios brasileiros gastavam mais do que o limite da verba destinada à merenda com alimentos não saudáveis.

A parte “meio cheia” desse copo é que houve melhora ao longo dos anos. Em 2015 eram cerca de 70% os municípios fora da meta de alimentação saudável nas escolas e, em 2017, o número havia caído para aproximadamente 63%.

A melhor situação é a da região Sudeste, na qual, em 2019, 62,5% dos municípios estavam dentro da meta de alimentação saudável para as escolas. O pior resultado foi o do Nordeste, com apenas 22,5%. No Sul, foram 30,3%, e, no Centro Oeste, 48,6%.

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A porcentagem de verba gasta com alimentos processados e ultraprocessados também foi reduzida nos últimos anos. Em 2015, era de 27,2%; em 2019, 24,3%.

“É importante ressaltar que, antes mesmo da publicação da resolução, 40% dos municípios brasileiros já conseguiam cumprir a meta de alimentação saudável”, pontua Ana Clara Duran, pesquisadora da Unicamp que coordena a pesquisa. “Isso mostra que a resolução não é utópica, e sim completamente factível”, afirma.

Ela disse que, em geral, municípios com mais recursos para a alimentação escolar e mais estrutura nas escolas compram menos alimentos não saudáveis. Mas isso não é uma regra. “A gente encontrou cidades ricas com alimentação não saudável nas escolas e cidades pobres com alimentação escolar mais saudável. Há outros fatores, como o interesse político, que influenciam na qualidade dessa compra de alimentos.”

No ranking dos alimentos mais comprados para as escolas brasileiras, em 2019, a carne bovina representou 14% e o frango, quase 8%. Em terceiro lugar veio o leite em pó (minimamente processado), com 6%, a banana, com 4,4% e o biscoito, com 4,3%.

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Um outro dado preocupante é que as escolas oferecem mais comida ultraprocessada do que processada –ou seja, há maior quantidade de alimentos com mais aditivos químicos. Em 2019, foram gastos 15,2% da verba com ultraprocessados e 9,1% com processados nas escolas brasileiras. A região Sul é a recordista de ultraprocessados, utilizando, com esses alimentos, 18,1% dos recursos destina à merenda.

Essa verba faz parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, que repassa recursos federais para a alimentação na educação básica. Depois de permanecer sem reajuste por cinco anos, desde 2017, os valores diários por estudante subiram até 40% neste ano –esta havia sido uma promessa de campanha de Lula (PT).

Ainda assim, os valores são baixos. Atualmente, o repasse é de R$ 1,37 para matriculados em creches e no ensino integral, R$ 0,72 para alunos do fundamental e do ensino médio regular e R$ 0,86 para os de escolas quilombolas e indígenas.

(Folha de São Paulo)

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