A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a distribuição de panfletos falsos com a imagem da governadora Celina Leão e o número 22, diferente do número 11 registrado na Justiça Eleitoral para a candidata. O material foi encontrado em diferentes pontos do Cruzeiro, região administrativa de Brasília, e levantou suspeitas de uma possível ação organizada para induzir eleitores ao erro.
Os panfletos foram localizados espalhados pelo chão, afixados em placas de identificação de quadras e colocados nos para-brisas de veículos estacionados na região.
A investigação ocorre em meio à disputa pelo Governo do Distrito Federal, após Celina Leão receber 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos, no primeiro turno das eleições de 2026, ficando próxima de conquistar a vitória sem a necessidade de uma segunda votação.
A suspeita investigada é de que o material tenha sido produzido e distribuído deliberadamente para confundir eleitores sobre o número correto da candidata na urna eletrônica.
Até o momento, não há confirmação sobre a autoria da distribuição nem comprovação de que os panfletos tenham provocado a anulação de votos.
Panfletos com número 22 foram encontrados em diferentes pontos do Cruzeiro
Registros fotográficos e vídeos documentam a presença do material em locais públicos e veículos na região do Cruzeiro.
Entre os pontos identificados está a Quadra 1603, Bloco D, onde foram encontrados panfletos em para-brisas de automóveis, sobre a grama e em estruturas de sinalização.
O material apresenta a fotografia de Celina Leão associada ao número 22, enquanto o número registrado oficialmente para a candidata é o 11.
A divergência é considerada central para a investigação, já que o eleitor precisa digitar corretamente o número do candidato na urna eletrônica para registrar seu voto.
Os panfletos também não apresentam identificação visível de seus responsáveis, o que dificulta determinar quem produziu, financiou ou autorizou a distribuição.
Polícia Civil analisa câmeras e possíveis impressões digitais
A investigação está sob responsabilidade da 3ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, que trabalha para identificar os envolvidos na produção e circulação do material.
Entre as diligências estão a análise de imagens de câmeras de segurança e a busca por possíveis impressões digitais nos panfletos recolhidos.
Imagens examinadas pelos investigadores mostram três mulheres na região onde o material foi distribuído.
A Polícia Civil busca esclarecer se essas pessoas tiveram participação na ação. A presença delas nas gravações, por si só, não comprova envolvimento em qualquer irregularidade.
A apuração também pretende identificar quem criou a arte dos panfletos, quem realizou a impressão e quem organizou a distribuição.
Cerca de 26 mil eleitores digitaram o número 22 no primeiro turno
Um dos pontos que chama a atenção no caso é a informação de que aproximadamente 26 mil eleitores digitaram o número 22 e tiveram seus votos anulados no primeiro turno.
O dado ganha relevância diante da votação expressiva de Celina Leão, que terminou a primeira etapa da disputa com 49,93% dos votos válidos.
Entretanto, não existe comprovação de que esses votos tenham sido anulados em consequência dos panfletos agora investigados.
Também não é possível afirmar, com as informações disponíveis, que todos os eleitores que digitaram o número 22 pretendiam votar na governadora.
A Polícia Civil deverá apurar se houve uma estratégia deliberada de desinformação eleitoral e se o material encontrado no Cruzeiro está relacionado a alguma ação coordenada.
Divulgação de número falso pode configurar crime eleitoral
A utilização de material de campanha com informações falsas, quando produzida deliberadamente para enganar eleitores, pode ter consequências na esfera eleitoral.
A eventual responsabilização depende da comprovação dos fatos, da identificação dos envolvidos e do enquadramento jurídico da conduta pelas autoridades competentes.
No caso investigado, a ausência de identificação dos responsáveis e a divulgação de um número diferente daquele registrado na Justiça Eleitoral estão entre os elementos analisados.
A investigação deverá esclarecer se a distribuição ocorreu de forma coordenada, quem participou da iniciativa e qual era a finalidade da divulgação.
Até a conclusão das diligências, não é possível atribuir a responsabilidade pelo material a candidatos, partidos, apoiadores ou outros grupos.
Como evitar erros na votação do segundo turno no DF?
O episódio reforça a importância de conferir as informações oficiais dos candidatos antes de comparecer às urnas.
Para evitar confusões, o eleitor deve verificar o número de registro na Justiça Eleitoral, desconfiar de materiais sem identificação e consultar os canais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Informações sobre candidaturas e números registrados podem ser consultadas no sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral.
No caso de Celina Leão, o número informado como registrado na Justiça Eleitoral é 11, e não 22, como aparece nos panfletos investigados.
A Polícia Civil continua trabalhando para esclarecer a origem do material e identificar os responsáveis por sua distribuição no Cruzeiro.

