Com 78,8% das famílias endividadas e mais da metade com contas em atraso, consumidor brasiliense está mais cauteloso; intenção de consumo caiu para 98,7 pontos em agosto
No Dia do Cliente, celebrado nesta terça-feira (15), o comércio do Distrito Federal enfrenta um consumidor mais cauteloso, endividado e atento ao orçamento. Dados recentes mostram que 78,8% das famílias do DF estão endividadas e 50,9% têm contas em atraso, cenário que já se reflete diretamente na disposição para novas compras.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do Distrito Federal chegou a 98,7 pontos em agosto, permanecendo pelo segundo mês consecutivo abaixo dos 100 pontos — patamar que separa a percepção de satisfação da de insatisfação.
O resultado também coloca o DF abaixo do índice nacional. No Brasil, a intenção de consumo das famílias ficou em 103,9 pontos.
Intenção de consumo recua no Distrito Federal
A queda ocorre após o indicador registrar 103,2 pontos em junho, quando as famílias do Distrito Federal ainda estavam na chamada zona de satisfação. Em julho, o índice recuou para 99,5 pontos e, em agosto, caiu novamente, para 98,7, atingindo a menor marca dos últimos 12 meses.
O comportamento varia significativamente conforme a renda. Entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos, a intenção de consumo ficou em apenas 91,3 pontos, pressionando o resultado geral para baixo.
Já entre as famílias que recebem mais de dez salários mínimos, o cenário é diferente: o indicador alcançou 114,7 pontos, permanecendo acima da zona de satisfação.
Emprego e renda resistem, mas consumidor evita compras maiores
Os componentes da pesquisa revelam outro contraste importante na economia do Distrito Federal. Enquanto a percepção sobre emprego atual atingiu 122,9 pontos e a de renda atual chegou a 119,1 pontos, a disposição efetiva para gastar permanece mais fraca.
O indicador de consumo atual ficou em 80,1 pontos, enquanto o de acesso ao crédito marcou 92,9 pontos.
A maior cautela aparece principalmente nas compras que exigem um comprometimento maior do orçamento. O indicador que mede se este é um bom momento para a aquisição de bens duráveis ficou em apenas 61,3 pontos, sinalizando baixa disposição para compras de maior valor, especialmente aquelas dependentes de financiamento ou parcelamento.
Comércio e serviços do DF ainda registram crescimento
Apesar da cautela das famílias, a atividade econômica do Distrito Federal mantém desempenho positivo no acumulado do ano.
O comércio varejista do DF cresceu 7,4% no primeiro semestre, enquanto o setor de serviços avançou 9,1% no mesmo período.
Os números indicam que o consumidor não deixou de comprar, mas passou a adotar critérios mais rigorosos para decidir quanto gastar, onde comprar e quais condições de pagamento assumir.
No Dia do Cliente, esse comportamento acende um alerta para empresários e reforça a necessidade de estratégias voltadas não apenas para descontos, mas também para relacionamento, confiança, atendimento e condições de pagamento compatíveis com a realidade financeira das famílias.
Fecomércio-DF alerta para novo comportamento do consumidor
Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o cenário exige que empresas conheçam melhor o perfil e as necessidades dos clientes.
“Esse cenário reforça a necessidade de compreender melhor o cliente. O consumidor do Distrito Federal continua comprando, mas está mais cauteloso e atento ao orçamento. O avanço da inadimplência e a menor disposição para compras de maior valor mostram que preço, atendimento, confiança e condições de pagamento serão cada vez mais importantes para o comércio e os serviços”, afirma.
Com o endividamento elevado e a intenção de consumo abaixo da zona de satisfação, o Dia do Cliente de 2026 chega, portanto, com um desafio adicional para o comércio brasiliense: convencer um consumidor que continua no mercado, mas está mais seletivo antes de colocar a mão no bolso.

