Candidato do PL ao Governo de Goiás afirma que pretende discutir implantação da tecnologia com a Polícia Militar nos primeiros 100 dias de eventual gestão
O candidato do PL ao Governo de Goiás, senador Wilder Morais, admitiu a possibilidade de adotar câmeras corporais nos uniformes de policiais militares de Goiás caso seja eleito. A declaração coloca o tema da segurança pública no centro da campanha eleitoral e evidencia uma diferença de posição em relação ao candidato do partido à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro.
Em entrevista à Rádio Sucesso, Wilder afirmou que pretende discutir o assunto com a Corregedoria da Polícia Militar e integrantes da corporação nos primeiros 100 dias de um eventual governo.
“Com relação às câmeras corporais, hoje em Goiás a gente ainda não usa. Assim que a gente chegar ao governo, a partir dos 100 dias, nós vamos sentar com a corregedoria, com os policiais e eu não tenho nenhuma dificuldade. O que a nossa corporação entender que é bom para a sociedade e para a segurança pública, nós vamos ter. Como também se decidir não ter, eu também vou ficar com a corporação”, afirmou Wilder.
A declaração foi repercutida nesta terça-feira (15) e abre espaço para que a eventual adoção das câmeras corporais passe a integrar o debate eleitoral sobre segurança pública em Goiás.
Wilder condiciona decisão à avaliação da Polícia Militar
Apesar de não defender diretamente a implantação imediata das câmeras, Wilder sinalizou que não se opõe à tecnologia. Segundo o candidato, uma eventual decisão será tomada após ouvir integrantes da Polícia Militar e avaliar os possíveis impactos para a segurança pública.
Na prática, o posicionamento deixa aberta a possibilidade de Goiás passar a utilizar equipamentos capazes de registrar a atuação dos agentes durante o serviço.
O tema tem provocado discussões em diferentes estados brasileiros, envolvendo questões como transparência das ações policiais, produção de provas, proteção dos agentes de segurança e possíveis impactos na atuação operacional das corporações.
Posição contrasta com discurso de Flávio Bolsonaro
A sinalização de Wilder Morais contrasta com declarações anteriores de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, que já se manifestou criticamente sobre a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais por policiais.
Flávio argumenta que o monitoramento permanente pode prejudicar a atuação dos agentes de segurança e aumentar o receio de responsabilização judicial durante operações.
O senador também já criticou decisões relacionadas à obrigatoriedade das câmeras em São Paulo. Em manifestação sobre o assunto, afirmou que medidas desse tipo criam dificuldades para as forças policiais e declarou que “os vagabundos agradecem”.
Segundo Flávio, policiais podem deixar de agir em determinadas situações por receio de cometer erros durante o serviço e posteriormente se tornarem réus.
Segurança pública entra no debate eleitoral em Goiás
A declaração de Wilder Morais acrescenta um novo elemento à disputa pelo Governo de Goiás em 2026. Segurança pública é uma das pautas de maior exposição durante campanhas eleitorais, especialmente quando envolve propostas relacionadas à atuação das polícias.
Ao afirmar que pretende ouvir a corporação antes de tomar uma decisão, Wilder evita assumir compromisso imediato com a implantação das câmeras, mas também não fecha a porta para a utilização da tecnologia.
A posição poderá ampliar o debate dentro do próprio campo político do PL, especialmente diante das críticas feitas por Flávio Bolsonaro ao uso obrigatório desses equipamentos.

