Todo início de ano traz a mesma sensação para quem empreende: a expectativa de que “agora vai”. O calendário vira, surgem novos planos, metas e promessas. No entanto, para grande parte dos empreendedores brasileiros, esses objetivos não são exatamente novos. São sonhos que atravessam anos, adiados por falta de recursos, tempo ou estrutura — e isso faz parte da realidade de quem empreende no Brasil.
Diferente da narrativa romantizada que domina as redes sociais, o empreendedorismo real muitas vezes não nasce de um planejamento ideal, mas da necessidade. Surge da urgência de pagar contas, manter a casa, sustentar a família e tentar fazer o dinheiro render. Quando as metas não se cumprem, o impacto vai além da frustração emocional: atinge o financeiro, o familiar e a saúde mental.
Reconhecer essa realidade não significa fracasso. Pelo contrário, é um sinal de maturidade.
Ano novo não é mágica, é oportunidade de ajuste
Entrar em um novo ano sem ter alcançado todas as metas não é, por si só, o problema. O maior risco está em repetir o mesmo caminho sem revisar estratégias. Planejar vai muito além de criar listas ou estabelecer metas genéricas. Planejar é analisar o que não funcionou e ter coragem de mudar a rota.
Disciplina, nesse contexto, não é rigidez. É constância. É manter pequenas ações diárias mesmo quando a motivação diminui. Se o ano anterior foi financeiramente pesado, o próximo pode ser mais estratégico. Se faltou dinheiro, pode sobrar organização. Se faltou tempo, podem surgir prioridades mais claras.
Crescimento é processo, não promessa
O início do ano também traz novos estímulos: pessoas, ideias e formas diferentes de fazer o mesmo negócio. No entanto, apenas aproveita essas oportunidades quem entende que crescimento não acontece por promessa, mas por processo contínuo de ajuste, aprendizado e execução.
Para ajudar empreendedores a iniciarem 2026 de forma mais consciente, três pontos merecem atenção.
Três orientações para começar o ano com mais estratégia
1. Revisar antes de recomeçar
Antes de estabelecer novas metas, é fundamental revisar as anteriores. O que não foi realizado aconteceu por falta de tempo, dinheiro ou foco? Ajustar metas é mais eficiente do que simplesmente abandoná-las. Muitas vezes, objetivos antigos continuam sendo mais relevantes do que novas promessas.
2. Planejar pequeno e executar com consistência
Metas muito grandes tendem a desmotivar. Dividir objetivos em etapas simples e possíveis facilita a execução. A disciplina diária costuma gerar mais resultados do que a motivação típica do início do ano. Cada pequeno avanço deve ser reconhecido como parte do crescimento.
3. Tratar o negócio como negócio
Independentemente do tamanho, todo empreendimento precisa de controle. Registrar entradas, saídas, contatos e aprendizados é essencial. A organização é um dos principais diferenciais de negócios que crescem de forma sustentável. Mesmo em estágio inicial, o amadurecimento do negócio já representa evolução.
Empreender é prática diária
Para quem inicia o ano entre sonhos, medos e boletos acumulados, a mensagem é clara: essa é uma realidade compartilhada por muitos empreendedores. Empreender também é lidar com incertezas.
No entanto, com planejamento realista, disciplina e visão clara, o ano novo deixa de ser apenas promessa e se transforma em oportunidade concreta de fazer diferente. E esse, por si só, já é um excelente começo.
*Didi Barroso é produtor de eventos, gestor de projetos de impacto social e empreendedor com mais de 20 anos de atuação. Coordena grandes eventos, atua como mentor de empreendedores periféricos e é gestor do Instituto ProduKa.


