• 27 de fevereiro de 2020

O canto da gente, a gente escolhe – por Izalci Lucas

“Meu Deus, mas que cidade linda”, Renato Russo

Às vésperas de completar 60 anos, Brasília continua sendo uma das mais belas e a mais moderna cidade do país. É, sobretudo, para nosso orgulho, a capital da arquitetura moderna do mundo. Em todas as faculdades de arquitetura e urbanismo do planeta, Brasília é estudada e apreciada. Só aqui, no nosso próprio país, não é cultuada e reverenciada como deveria ser.

Digo isso porque não se exalta o papel da capital para o desenvolvimento do país. Ninguém diz que só a partir de Brasília é que o interior do Brasil começou a integrar-se, a comunicar-se, a ser um só Brasil. Digo isso porque não se exalta o papel da capital nas suas linhas e curvas, antes impensáveis na arquitetura, assim como não se exalta o papel de nossos arquitetos, engenheiros, paisagistas e artistas que fizeram desse Planalto Central uma obra de arte para o resto do mundo e a tornaram um museu a céu aberto.

Mas, para fazer Brasília era preciso convencer os brasileiros da importância de se integrar o país. Era preciso acabar com o apartheid que dividia o nosso país entre os ricos da praia e os pobres do interior.

Era preciso coragem, ousadia e competência. Unir as forças do bem e a vontade de Deus. Estou falando do presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, o predestinado. Aquele que veio para nos possibilitar a oportunidade de tornar o nosso país um só, integrando-o de norte a sul, de leste a oeste, com a mais bela capital, localizada justamente no centro do Brasil.

Depois de Brasília, o Brasil se desenvolveu, evoluiu e se integrou. E tudo isso só foi possível porque homens e mulheres de todo o país acreditaram no sonho do presidente JK e construíram a nossa capital. Sou filho de um mineiro que acreditou nesse sonho e contra tudo e contra todos resolveu que seu lugar era aqui no cerrado, no barro vermelho da capital em construção.

Meu pai, seu Antônio Ferreira Neto, certamente, lutou com todas as forças para convencer a família em nossa pequena cidade de Araújos, no interior mineiro, de que valia a pena fazer parte da história de Brasília. Ele teve que vir sozinho, a família viria mais tarde. Como meu pai, brasileiros de todos os cantos também vieram em busca do sonho e do eldorado. No início de Brasília tínhamos os cariocas ainda inconformados com a perda da capital, os mineiros que acreditaram no chamado de seu conterrâneo mais ilustre e os nordestinos com a força e a disposição para transformar Brasília na abertura para todos os caminhos do interior do país.

Chegamos aqui, eu e meus irmãos, alguns anos após a vinda de meu pai. Viemos em uma carroceria de caminhão como outros candangos. Nunca me esqueço da imagem de amplidão, do céu azul e mais perto da gente, e ainda do barro vermelho que nos fazia correr dos redemoinhos. Brasília era ainda um lugar para desbravar, estava incompleta e, para nós, crianças, o grande sítio para brincar.

Brasília é o canto que meu pai escolheu para viver e criar sua família. O canto da gente, a gente escolhe. Eu poderia escolher outro, meus irmãos também, meus filhos idem. Porém aqui ficamos. Meus filhos são filhos de Brasília e agora chega mais uma geração, meus netos, os novos filhos de Brasília, essa cidade linda.

Izalci Lucas é senador do PSDB do Distrito Federal, professor e contador.

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