• 7 de agosto de 2022

Adolescentes e videogames: saiba como identificar uso excessivo

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a cada quatro adolescentes, um apresenta uma relação excessiva com videogames e jogos eletrônicos. O estudo entrevistou mais de 7,5 estudantes, a maioria entre 12 e 14 anos, e constatou que 85% da amostra é adepta dos games. Contudo, 28% do público, de acordo com a pesquisa, atingiu os critérios do Transtorno de Jogo pela Internet (TJI), recentemente classificado como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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Segundo a psicóloga Luiza Chagas Brandão, doutora em Psicologia Clínica pelo IP e autora do estudo, explica que o uso problemático é mais alto no Brasil em comparação aos outros países (média oscila entre 1,3% a 19,9%), embora o costume de jogar videogame, em geral, seja parecido com média mundial. Ela afirma também que uma das hipóteses para isso está na dificuldade de os brasileiros se envolverem com outras atividades pela falta de acesso a serviços de lazer e esportes públicos e pelos altos índices de violência que afetam os encontros presenciais.

De acordo com os especialistas, tanto o manual psiquiátrico da Associação Americana de Psiquiatria como a OMS categorizam o transtorno de jogos pela internet como transtorno psiquiátrico, mas não estabelecem parâmetros absolutos para a identificação do problema. Ou seja, a identificação do uso excessivo não passa apenas por critérios objetivos, mas subjetivos também.

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“Não há um limite de horas em que a gente pode pensar que não há risco, porque existem fatores etiológicos (causas de doenças) que podem ter influência”, diz o psicólogo clínico Igor Lins Lemos, especialista em dependências tecnológicas da Universidade de Pernambuco (UPE).

“É necessário observar se a família do garoto tem disfunções a nível comportamental, problemas de relacionamento familiar, brigas, agressões, superproteção, abandono, violência doméstica. Se há alguma base genética de transtorno psiquiátrico, tudo isso deve estar em pauta antes de se pensar, por exemplo, que cada faixa etária tenha um uso delimitado. Quanto mais vulnerabilidade, menor deve ser o uso.

Como perceber os sinais do uso excessivo de videogames:

Perda de interesse

Um dos sinais mais evidentes é a perda de interesse e empolgação por outras atividades ou trocar momentos, que antes pareciam ser agradáveis, para ficar mais tempo no celular. Isso inclui atividades esportivas, de lazer, momentos com a família.

Perda de qualidade

Além do interesse, é importante observar se há perda também da qualidade em algo realizado nas atividades de rotina, como trabalho escolares ou então em hobbies (atividades esportivas e artísticas).

Irritabilidade

Demonstração de frustração, irritabilidade e tristeza por parte da criança ou do adolescente quando é solicitado a interromper o jogo e se afastar dos aparelhos eletrônicos também é um sinal de que os videogames podem estar sendo praticados de forma excessiva.

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Cansaço ao acordar

É comum os adolescentes jogarem de madrugada. Então, os especialistas indicam que demonstração de cansaço ao acordar, indicando que o jovem dormiu pouco e que substituiu horas de sono pelo ato de jogar também podem indicar uma relação não saudável com os jogos eletrônicos.

O que fazer para hábito não se tornar excessivo

0 a 3 anos: Longe das telas

Para os especialistas, é importante que crianças de zero a dois ou três anos, não façam nenhum uso de telas ou tecnologia, em função dos distúrbios que isso pode causar no desenvolvimento do pequeno.

Uso supervisionado

Igor Lins entende que, a partir dos 4 anos, uma hora de uso de videogames não é contraindicado, mas desde que seja supervisionado. O psicólogo acredita que deve se dar maior liberdade a partir dos seis anos, mas ainda restringindo o tempo de jogos eletrônicos para uma hora.

“Quando passa dos 4 aos 6 anos, uma hora de uso supervisionado está OK. Dali aos 10 anos, mantém-se uma hora, com mais liberdade. Dos 11 aos 14 anos, duas horas para entretenimento por dia são aceitáveis. No final da adolescência, o adulto jovem pode ter até três horas de uso para os jogos. Não há um limite de horas em que a gente pode pensar que não há risco porque existem aqueles fatores etiológicos que devem ser considerados”, disse.

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Controle parental

Outra medida prática é usar aplicativos de controle parental para sites, e de bloqueio por tempo, como o family link, que ajuda a impedir o jogar excessivo. Os pais podem também combinar com os filhos de ter a permissão de acessar o aparelho celular sempre que necessário.

Estabelecer combinados

Os especialistas afirmam que apesar da fiscalização, é importante evitar abordagens que sejam violentas, totalitárias, e pautadas em discussões acaloradas. Devemos lembrar que um dos motivos que levam esses jovens para os jogos no celular, como indicou a pesquisa, é para aliviar problemas da vida real. Quanto mais a vida familiar for aversiva, há uma tendência de que esses jovens vão para o jogo”, alerta Luiza.

Vida familiar harmoniosa

Buscar ter uma vida familiar harmoniosa, e que apresente aos adolescentes outras possibilidades de atividades e interesses contribuem para manter o hábito do jogo saudável, e não excessivo. “Os amigos com quem (os adolescentes) jogam tendem a jogar muito também, então eles ficam sem parâmetro, por isso, se há percepção de um quadro mais grave, a ajuda de um profissional de saúde mental torna-se necessária.”, diz a psicóloga.

Estadão

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