• 27 de fevereiro de 2020

Em audiência, acusado de matar Noélia diz ser vítima de injustiça

Almir Evaristo Ribeiro, 43 anos, vizinho e principal suspeito do feminicídio de Noélia de Oliveira Rodrigues, 38, contou, nesta terça-feira (04/02/2020), a versão dele para a morte da vendedora. É a primeira vez que o acusado fala à Justiça sobre o caso. O depoimento foi prestado durante audiência de instrução e julgamento no Fórum de Águas Claras do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). De acordo com o operador de máquinas, ele é “vítima de injustiça”.

Na versão dele, no dia da morte (17/10/2019), Noélia teria pedido carona, mas, de última hora, cancelou. Ele afirma que já estava no shopping onde a vendedora trabalhava havia duas horas. No entanto, apenas aceitou a decisão dela e voltou para casa.

Segundo Almir, ele não cometeu o crime e não sabe quem pode ter matado a vizinha. “Eu era apenas amigo dela e tinha uma relação tranquila”, conta. A acusação seria injusta. “Estão me acusando de algo que não cometi”, alegou.

Nem mesmo sobre o caso extraconjugal que supostamente manteria com a vítima ele quis comentar. Apesar de confrontado com provas de que ligações entre os dois tinham duração de mais de uma hora, ele repetiu que isso não acontecia: “Eu achava que tinha desligado, mas não conferia e acabava que estava ligado ainda”, explicou.

Questionado sobre o que ele fazia no local onde o corpo de Noélia foi encontrado na noite do assassinato, ele não soube dizer. Os dois agentes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ouvidos pelo tribunal, contudo, relataram durante a audiência que Almir confessou o crime em conversas informais.

Segundo eles, o acusado disse que Noélia pediu uma carona em 17/10/2019 sem informar o motivo. Durante o caminho de volta ao Sol Nascente, ela pediu para estacionar o carro em uma estrada de terra, na Estrutural.

Noélia teria pedido para que ele pagasse um curso para que ela tirasse carteira de motorista. Almir teria recusado, e a vítima reagiu com xingamentos. Nervoso, o acusado teria sacado a arma e apontado para o rosto de Noélia. O revólver, segundo os agentes que ouviram Almir, teria escorregado e um disparo acabou atingindo o olho da vítima.

Também foram ouvidos a esposa de Almir; a gerente e vendedora da loja em que Noélia trabalhava; o marido dela, Marcos Paulo Mendes Santana; e um vendedor que costumava pegar ônibus com a vítima.

O juiz Paulo Afonso Correia Lima Siqueira abriu prazo para a defesa apresentar novas alegações e encerrou a audiência. Só depois desse tempo é que haverá a decisão de se levar o caso ao tribunal do júri.

Denúncia

Em novembro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou Almir pelo assassinato de Noélia e por porte ilegal de arma de fogo. Ele está detido desde o fim de outubro do ano passado e teve prisão temporária convertida em preventiva pela Justiça no mês de novembro.

De acordo com a denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Águas Claras, o homicídio é duplamente qualificado por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima (disparo de arma de fogo a curta distância) e feminicídio (condição de sexo feminino).

O crime

Noélia foi encontrada morta no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. De acordo com peritos do Instituto de Criminalística (IC) que analisaram o local onde o crime ocorreu, a vendedora levou um tiro à queima-roupa no rosto.

No início das apurações, com  acesso a informações que faziam parte do laudo preliminar sobre o feminicídio. Elas apontavam que o disparo foi feito próximo à face de Noélia e indicaria que ela poderia estar dentro de um veículo, supostamente usado pelo autor do crime — o que se confirmou posteriormente.

O corpo de Noélia foi encontrado no dia seguinte ao desaparecimento. O enterro ocorreu em 20 de outubro. Ela tinha três filhos: dois meninos, de 16 e 5 anos, e uma garota, de 9.

(Metrópoles)

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